REBELIÃO

Light Novel

HOUNEN

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Assim como todo legionário, Hounen já foi uma criança, e muito esperta por sinal. Seus olhos estavam sempre bem abertos a observar tudo. Com menos de um ano já sabia falar, ele era a alegria de sua mãe Mashira.

O colo materno é muito bom; por mais insano que pareça ser é o lugar onde nos sentimos mais protegidos. Claro, quando possuímos uma mãe bondosa como a de Hounen.

O planeta de Hounen é bem próspero, assim como os outros planetas conquistados pela Ordem dos sete. Tudo flui em perfeita harmonia, uma paz e tranquilidade quase inabaláveis.

As leis impostas pela Ordem dos sete eram rígidas e bem respeitadas, poucos se atreviam a contrariá-las, pois as penas para os rebeldes eram duras.

Mas nem tudo era flores. Existiam alguns que discordavam da forma que eram governados. Mashira não sabia, mas acabaria se tornando uma desafortunada pela Ordem dos sete.

Em uma bela manhã como tantas outras Mashira cuidava de seus afazeres na cozinha enquanto Hounen brincava na sala. O pequeno começou a rir muito, estava empolgado. Qual é a mãe que não gosta de ouvir o sorriso do filho? Mashira sorria “Esse menino, todo dia uma aventura. Como pode se divertir tanto assim sozinho?”.

O pequeno aparece na porta da cozinha com olhos radiantes “Mamãe, vem ver o que eu aprendi, vem!” ele insistia puxando a mãe pela blusa. Mashira seca as mãos no pano de prato e segue o filho até a sala para ver qual era o novo truque que ele tinha aprendido. Porém ela foi tomada de espanto e uma amargura indescritível.

A jovem mãe não estava preparada para ver seu filho se tornar um legionário.

Hounen se sentou no chão, olhando alegre em direção a um copo de água e com um pequeno aceno de mão fez com que a água se mexesse sozinha dentro do copo. O copo se tornou um pequeno chafariz onde ao invés de se espalhar a água mantinha-se unida em um tipo de vórtice contínuo.

O coração de Mashira deu uma forte pontada enquanto os seus olhos estavam fixos no copo de água, não conseguia acreditar no que estava vendo “Meu filho um legionário? Isso não pode ser; Não, não.”

Segurando o pequeno Hounen nos braços e olhando diretamente nos olhos dele ela disse com voz embargada e lágrimas no rosto “Meu filho, por favor… por favor, não faça mais isso.”

O brilho nos olhos do garotinho se desmancharam em lagrimas “Não chora mamãe, não chora.”

Eles se enlaçaram num forte abraço e choraram juntos. Hounen chorou porque sua mãe estava chorando e Mashira chorou porque sabia a situação com a qual precisariam lidar.

Mashira com o menino no colo sentou-se no sofá e ligou para o marido. Sua voz ao telefone transparecia todo o nervoso e angustia que estava sentindo.

“Calma amor, calma. Eu não consigo entender” o marido pedia que Mashira contasse o ocorrido devagar.

“O nosso filho… ele move as coisas sem tocar nelas, ele consegue fazer coisas flutuarem, ele…”

“Como assim amor? Eu nunca vi isso antes.”

“Hoje, marido. Eu vi isso hoje. Ele é um legionário. Eu não consigo acreditar que isso esta acontecendo conosco” o seu rosto ardia de nervoso e as lagrimas continuaram a descer em meio a soluços.

“Entendo. Esposa, você sabe o que precisamos fazer.”

“NÃO! Não! Eu não vou entregar meu filho para eles. Eu não vou.”

O marido começou a sentir calor e a tremer. Ele sabia que se não entregassem o garoto as autoridades de Óregon eles seriam presos e talvez até resetados.

“Esposa, se acalma. Nós vamos dar um jeito nisso. Fica calma.”

Mashira diminuiu o choro e se acalmou confiante de que o marido resolveria tudo. Eles poderiam fugir para outro estado ou mesmo outro planeta. Poderiam fugir para longe do radar de Óregon. Lar é onde a família está, não importa o local que vivam. Com esses pensamentos a mãe exausta de preocupação banhou-se junto com a criança e foram deitar-se um pouco. Eles precisavam estar descansados para as decisões que seriam tomadas quando o marido chegasse. 

O menino dormiu depressa, mas a mãe não conseguia fechar os olhos. Suas palavras eram um sussurro “A inocência… Meu filho, você nem ao menos sabe a seriedade disso tudo. Melhor que seja assim.” ela passava a mão direita sobre os cabelos espetados do filho com ternura. Com os olhos marejados ficou assim por horas até que finalmente dormiu.

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Mashira acordou com a porta do quarto se abrindo, era o marido com um semblante preocupado e triste. Suavemente ela apalpou a cama e sentiu que o garotinho não estava mais ao seu lado. O seu corpo começou a formigar.

“Hounen? Cadê você meu filho? Hounen!”

Desesperada a mulher jogou os travesseiros para o alto e correu em direção ao marido.

“Marido, cadê o nosso filho?”

Agarrou o marido pelo braço e começou a sacudi-lo com força. “MARIDO! Cadê o Hounen?!”

Ele a abraçou com força “Amor… não podemos fazer nada. Desculpa, desculpa” e ele também começou a chorar.

Mashira se soltou do seus braços e o empurrou. Com os olhos arregalados indagava “Você não… Você não entregaria o nosso filho a eles, entregaria? Você entregou?”

“Amor… o que você acha que poderíamos fazer? O que poderíamos fazer? Não podemos fazer nada. Não podemos, não podemos…”

Essas palavras confirmaram o  maior medo de Mashira. O seu marido com quem tinha construído uma vida juntos, ele a tinha traído. Ele foi capaz de entregar o seu filho para uma organização ditadora. Como ele poderia fazer isso com tanta facilidade? Como?

É comum que o nosso desespero não nos deixe ver a dor do outro. O marido caiu sentado no chão com as mãos no rosto em prantos e profundo pesar. Para quem não conhece Óregon, pode achar esse homem um desnaturado ou covarde, mas apenas quem se depara com uma decisão difícil e dolorosa sabe como custa agir contrário ao que se deseja. Na verdade esta foi sem dúvida, a melhor decisão que este pai poderia ter tomado.

Ela correu até a porta da casa. A alguns metros ela viu uma nave espacial grande. Vários de seus vizinhos estavam ali a curiar, mas como toda boa mãe a primeira pessoa a quem ela viu foi o seu filho que estava sendo levado por um estranho. Então, correu aos berros “HOUNEN! MEU FILHO! NÃOOO!”

O menino olhou para sua mãe em desespero e começou a chorar puxando o estranho pela mão.

Pouco antes de Mashira os alcançar uma soldado agarra a mulher alarmada pelo braço rasgando as mangas de sua camisola e a segurando firmemente enquanto outros soldados armados observam toda a situação.

O homem estranho queria fazer o reset dentro da nave, em um local mais calmo, porém viu que isso não seria possível. Então gentilmente se abaixou na altura do menino e com voz suave lhe perguntou “Pequeno, seu nome é Hounen, não é verdade?”

“Sim” o menino respondeu apreensivo e sem desviar os olhos de sua mãe.

“Você quer voltar para a sua mãe?”

Foi quando o menino desmanchou o choro e sorriu olhando nos olhos do homem. “Quero! Eu amo a mamãe” mas após dizer isso o menino já não parecia mais estar ali. O processo de reset já havia começado enquanto que no fundo Mashira gritava pelo filho e berrava ao máximo de sua voz.

O estranho mesmo incomodado com os gritos continuou “Meu jovem, o seu passado já não importa mais. A partir de hoje você é um legionário e terá uma família que te ama e que cuidará de você, não importa o que aconteça. Durma e descanse um pouco. Em breve tudo estará bem”.

Hounen dormiu nos braços do homem que o carregou para dentro da nave enquanto resmungava “Meu filho, meu filho. Egoísta! Esta criança é filho da esperança, da ordem e da paz. Não é o seu filho.”.

A nave partiu e Mashira se abraçou desalentada. Seu marido a tentou consolar, mas ela o empurrava, não o queria mais. A partir deste dia o seu casamento já não existia mais e a sua família havia sido destruída por Óregon. O seu objetivo de vida seria recuperar o filho perdido não importando o quanto isso iria custar.

Hounen cresceu e se tornou um excelente legionário. Por ser um jovem muito inteligente, atento e curioso, se tornou um estrategista incrível. Além de possuir a telecinese ele também desenvolveu uma habilidade especial, ele era capaz de realizar cálculos matemáticos com muita precisão e rapidez. Isso garantiu a ele o posto de cientista mestre de Óregon.

Sua vida parecia incrível! Mas todas as noites em seus sonhos ele ouvia a voz familiar de uma mulher; desesperada ela gritava: “Hounen! Meu filho! Devolvam o meu filho!”.

– Fim do conto.

Mensagem da Autora:

Muito obrigada por estar acompanhando esta história. Estou amando escrever ela para você e fico ainda mais feliz quando recebo mensagens sobre o que você está achando da história ou dos personagens.

Eu achei que conseguiria postar  o conto juntamente com o capítulo seis, mas infelizmente não foi possível u.u’ estou tendo muito trabalho e com o tempo reduzido que tenho tive de escolher entre o capitulo seis e este conto. 

Achei que o conto seria mais adequado, pois como Óregon demonstrou um lado tão bom, eu queria aproveitar para mostrar o outro lado de uma ditadura disfarçada de república e assim justificar o ódio que alguns personagens sentem. 

Espero ter atingido o ponto =^_^=

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