REBELIÃO

Light Novel

Cap. 10

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Enquanto Keiro observa Marine com olhos curiosos, o pai da jovem questiona “Você já me encontrou. Na verdade, encontrou toda a minha família. Então, sejamos claros e sensatos. Não creio que você veio fazer uma visita. Diga, o que você quer?”

Keiro sorri “Sim, realmente eu não vim aqui fazer uma simples visita, caro ex-general Koyäng. Eu estou precisando apenas de um favor seu. Fiquei sabendo que você tem uma nave muito bem conservada guardada em algum lugar desse seu imenso terreno. Vou precisar dela”.

O pai de Marine, senhor Koyäng fica bem pensativo. Ele ama tanto a sua família que por ela abriu mão de ser um legionário há muitos anos atrás, mesmo assim o incomoda o fato de ajudar um provável fora da lei “Posso saber qual é o motivo de você ter vindo parar neste mundo tão distante do seu?”.

Keiro começa a rir freneticamente, é perceptível a sua tentativa de controlar o nervosismo. Com olhar ameaçador ele responde “Eu não sabia que o senhor era tão curioso. Será que eu preciso lembrá-lo de que este não é um bom momento para fazer perguntas?”.

Koyäng continua calado e pensativo. Lhe veio a memória o fato de ter sentido a presença de um legionário no início da tarde, mas ele não levou a sério por achar impossível que algum legionário chegasse a Borbol. No entanto, ali estava o pior legionário de toda ordem dos sete, filho de um velho inimigo. Ajudar esse homem seria o mesmo que matar inocentes.

Vendo a demora em obter uma resposta, Zira fica furiosa! Ela puxa o braço de Marine para junto de si e aponta a sua arma para a cabeça da jovem “Eu já estou farta! Vai ajudar a gente ou eu posso fazer um buraquinho aqui?”

Aisha dá dois passos à frente com os braços esticados em direção a filha “Por favor… Não faça mal a ela. Eu indico onde está a nave”.

Keiro fica satisfeito e sarcasticamente encena um elogio “Ótimo! Nós temos aqui uma mulher sábia. Então, vamos todos sair para dar uma voltinha. Mas antes… senhor Koyäng, desligue o sabre de luz por gentileza”.

Contrariado com a ideia de ficar indefeso, Koyäng desliga o sabre de luz. Ao lado de sua esposa ele segue Zira que anda a uns cinco metros a sua frente, ela prende Marine entre os braços como sua refém.

Keiro olha para Nayane e aponta para a porta que dá acesso ao quintal dos fundos, o local por onde entraram. Isso indicava que ela também deveria sair com os outros. Mesmo trêmula, ela obedece. O clima é extremamente tenso entre todos, cheio de incertezas.

Talvez você esteja se perguntando: “Mas por que esse Koyäng não age logo? Ele era um general com um alto treinamento, como ele fica indefeso numa situação dessa?”. Você pode estar pensando assim porque a família não é sua. Mas esta é uma situação delicada, um erro pode custar a vida de uma ou mais pessoas, e era nisso que o ex-general estava pensando.

Quem é Keiro? Ele não é só mais um legionário comum, ele é o filho de um hábil estrategista. O pai de Keiro trabalhava em uma posição de grande poder e prestígio no governo de seu planeta Natal. Koyäng o conheceu e de início chegaram até a ser amigos, mas com o passar do tempo ficou evidente o quanto aquele homem era frio, manipulador e corrupto.

Koyäng como legionário representante daquele planeta e extremamente justo, não poderia simplesmente ignorar o tráfico de drogas que estava sendo feito as escondidas. Ele tentou aconselhar e ajudar o chanceler Wondo, pai de Keiro, a mudar o rumo de seus negócios. Um esforço em vão. Wondo sentiu-se ameaçado e começou a buscar formas de prejudicar Koyäng.

Nesta época Koyäng tinha a missão de proteger a princesa Aisha. Qualquer um que olhasse os dois juntos percebia com facilidade que o relacionamento entre eles era mais profundo, ia além do relacionamento entre guardião e princesa. Wondo viu nessa falha de conduta uma ótima oportunidade para intimidar seu inimigo.

Em uma manhã aparentemente calma, a luz do sol atravessa as vidraças do corredor com delicadeza enquanto Koyäng vigiava em frente ao quarto da princesa Aisha.

Repentinamente estrondosos gritos de mulher em total desespero soaram. O jovem legionário enlouquecidamente entrou pela porta do quarto angustiado imaginando o pior. A princesa encontrava-se sentada em sua cama trêmula, com os olhos cheios de lágrima e segurava uma grande mecha de seu brilhante cabelo azul, alguém o havia cortado! Ele suspirou aliviado por perceber que a donzela estava bem, porém seu peito continuava apertado. Ele sabia que de algum modo, alguém, havia acessado o quarto furtivamente o suficiente para matar a jovem, caso o quisesse.

Koyäng sentou-se ao lado da amada envolvendo-a em um forte abraço para confortá-la. Ao olhar em volta confirmou que as janelas estavam fechadas. “Como é possível que alguém possa ter entrado aqui? Fiquei de guarda a noite inteira e não ouvi som nenhum!”. Seu coração doía com a ideia de perder aquela mulher tão especial em sua vida. O peso da impotência diante da realidade fora de seu controle o fazia olhar melancolicamente para o céu azul e límpido atrás das vidraças.

Novamente examinando o quarto com maior atenção surpreendeu-se com um pequeno papel dobrado e cuidadosamente colocado ao lado do travesseiro. Abrindo o papel ele compreendeu que tudo tinha sido apenas um aviso, pois na carta dizia: “Prezado amigo, cada homem domina a sua casa ao seu modo. Em outras palavras, não se meta na minha casa! Ou coisas ruins podem acontecer. Assinado: você sabe quem”.

Certeza! Aquela mensagem tinha sido escrita por Wondo. Servia apenas como um pequeno aviso do que poderia acontecer caso ele continuasse a se meter em seus negócios. Aquele homem era um maldito! Keiro tem os mesmos olhos calculistas do pai.

Koyäng sabe bem com quem está se metendo e sabe que se fizer qualquer bobagem poderá perder agora os seus dois amores, a esposa e a filha. Sem contar que debaixo de sua tutela também encontra-se uma outra criança inocente. Ele precisa manter-se calmo e descobrir uma forma de salvar a sua família. 

Certamente Keiro tem grandes mágoas contra ele, afinal, Koyäng foi responsável pela morte de seu pai. Mesmo que o ajude agora, aquele homem mau não vai deixar barato. Esse tipo de gente se alimenta de rancores e vingança.

– Continua no capítulo 11

Mensagem da Autora

Um super obrigada a você que me acompanha nas redes sociais e sempre curte e comenta. Pensa num incentivo que você me dá. Como eu vi no perfil de um amigo desenhista “Enquanto eu tiver um leitor que seja, continuarei a escrever”.

Eu sei que o mercado de auto publicação no Brasil ainda está muito difícil, o interesse em apoiar novos projetos também, mas o negócio é continuar tentando, e é isto que estou fazendo.

As vezes atraso um pouco, as vezes atraso muito kkkkk mas continuo escrevendo e desenhando. Sei que ainda tenho muito a melhorar na arte da escrita e ilustração, porém estou aqui treinando a cada novo capítulo. Quero poder tocar sua mente e coração, fazer você rir, se espantar ou até ficar irritado hahaha faz parte.

Me sinto abençoada com essa paixão pela arte de criar histórias e personagens e desejo compartilhar com você.

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